MARIA SANTÍSSIMA, A PRIMEIRA CRISTÃ

No mês de Maio, dedicado a Maria, tivemos a graça de compreender o seu lugar e a sua missão na História da Salvação, de crescer mais no amor para com a Mãe do Senhor, de renovar o compromisso de imitá-la como modelo de vida, de celebrá-la na liturgia e nas práticas de devoção popular, de comunicar as maravilhas operadas por Deus em sua vida.

No Novo Testamento, existem poucas informações sobre a Virgem Maria, mas são informações densas que manifestam o essencial de sua vida. Maria foi uma mulher do povo, simples e pobre; viveu na Galiléia e participou em tudo da situação familiar, social, política e religiosa de seu povo. Ela é puro acolhimento e entrega. É Aquela que se dispõe a fazer a vontade de Deus. É, também, Aquela que se entrega e se doa aos outros. É Aquela que está sempre pronta para servir. É uma pessoa única na História da Salvação: “a cheia de graça”, “a bendita entre as mulheres”, “a Mãe do meu Senhor”, “Aquela que acreditou”, “Aquela que todas as gerações proclamarão bem-aventurada”, “a Mulher na qual o Todo Poderoso fez grandes coisas”, “a nova Eva”.

O “Magnificat” é o texto bíblico mais longo colocado na boca de Maria. Neste canto messiânico fala de Deus e das maravilhas que o Senhor realizou Nela, no mundo e no seu povo. Para os Bispos no Documento de Puebla esse cântico é o “espelho da alma de Maria”, o “cume da espiritualidade dos pobres de Javé”, o “prelúdio do Sermão da montanha”.

Tudo o que Maria é provém de Cristo, o nosso único Salvador. É  mãe da Igreja, nossa Mãe. Porque esteve sempre entregue à causa de Cristo, é o tipo perfeito de discípulo de Cristo e exemplo para nós cristãos.

Segundo o teólogo J. Dupont, o “Magnificat” revela: 1. A ação de Deus em Maria: mensagem religioso-pessoal (Lc 1, 46-49), em que aparece o clima de sagrado entusiasmo que nasce de uma profunda experiência de Deus, de uma grande alegria, de uma humildade de quem se entrega a Deus cheia de confiança. 2. A ação de Deus na história humana: mensagem religioso-social (Lc 1, 50-5), em que se revela o amor de Deus, amor de solidariedade, de libertação, de compaixão. Deus é o Libertador, que agiu ontem na história do povo de Deus, que age hoje em Maria e que agirá amanhã na caminhada dos humildes e dos pobres. 3. A ação de Deus em Israel: mensagem religioso-étnica (Lc 1, 54-55) que mostra Maria plenamente inserida no seu povo, como “filha de Israel”. Não se trata de um patriotismo fechado, mas aberto: Israel é um povo para todos os povos e Maria é filha do Antigo Povo, mas também é Mãe e Filha do Novo Povo, feito de todos os povos.

Portanto, ouçamos como ditas a nós as palavras de Maria nas bodas de Caná: “Façam o que Ele mandar”. O que Cristo nos manda, hoje? Não mais encher as talhas de água, e sim “amar”: “Amem uns aos outros como Eu vos amei”. E amar é ir ao encontro do outro para servi-lo.


Prof. Jayme Rodrigues de Almeida Filho